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13/05/2012 18:11:09 (#449) - Pico da Maromba, Leoa e Gorila... mais uma vez

Esta é uma obra de ficção, os personagens aqui citados, assim como os locais, são fictícios, as imagens resultado de renderização 3D e qualquer semelhança com pessoas e locais reais é mera coincidência.

Era uma vez...
dois amigos montanhistas que já haviam caminhado em diversas montanhas, mas que não se contentavam apenas com "uma dúzia" permitida no país. Graças a isso, há alguns anos eles resolveram subir outras montanhas, descobrindo que o Brasil, apesar do que muitos pensam, tem sim montanhas que não são simples passeio.

Dia 1
Depois de reagendar a viagem devido a uma unha muito encravada do Parofes, no dia 4 de Maio, na hora do almoço, passei em sua casa e logo pegamos estrada sentido Rio de Janeiro. No caminho apenas uma pausa rápida para almoço na Dutra e, no final da tarde, estacionávamos o carro no vale das cruzes, colocávamos as mochilas nas costas e, com as últimas luzes do dia, começamos a subida, chegando até o último ponto de água antes da crista do Pico da Maromba iluminando nosso caminho com as headlamps e luz cheia que tentava aparecer.

Nesse lugar, bem próximos da água, encontramos um local aberto onde outros já acamparam e o elegemos como 1º local de bivac (acampamento sem barraca), deixamos as mochilas no chão, buscamos água, jantamos e fomos dormir. Não sei se essa área foi aberta recentemente ou eu nunca tinha prestado atenção, mas ela facilmente comporta umas 2 barracas (só é um pouco inclinado).

Dia 2
No segundo dia acordamos por volta das 6h e às 6h30, quando os primeiros raios de Sol chegaram até nós, saímos dos sacos de dormir e começamos a preparar nosso café da manhã. Sem pressa mas também sem perder muito tempo comemos, guardamos as coisas e com apenas um pouco de água começamos o trecho final da subida, que leva até a crista do Pico da Maromba, onde desviamos da trilha da travessia Rebouças-Mauá subindo sentido cume do Marombinha.

Cume do Marombinha no PNI (visão 360º)

A subida desse trecho é bem inclinada mas fomos seguindo fazendo algumas pausas apenas para fotos e logo estávamos no seu cume observando a grande crista do Pico da Maromba (15ª mais alta do Brasil de acordo com o anuário estatístico do IBGE). Uma pausa para lanche, mochila novamente nas costas e seguimos, passando então pelo cume do Maromba descendo pela sua face SE até o encontro dos rios que descem do Maromba, Leoa e Gorila, onde deixamos nossas mochilas e fomos leves até o cume do Pico Cabeça de Leoa (23ª no IBGE), montanha que eu havia subido duas vezes mas que o Parofes ainda não conhecia.

Cume do Pico da Maromba no PNI (visão 360º)

Cume do Cabeça de Leoa no PNI (visão 360º)

No cume algumas fotos e, com a ameaça de chuva, descemos rápido até onde havia ficado nossas mochilas, fazendo o caminho de ida e volta em 2h quase cravadas (na verdade foram 1h57).

Mais um lanche, mais um pouco de descanso e logo começamos a subir a crista do Pico da Cara de Gorila (32º no IBGE), outra montanha que eu já havia visitado. No cume mais uma breve pausa, assinamos o "livro de cume" onde vimos que outras duas pessoas haviam estado por lá esse ano, e logo seguimos nosso caminho, descendo da montanha pela sua face Oeste e seguindo para o Sul, onde encontramos um bom ponto para nosso 2º bivac: plano e próximo da água.

Cume do Cara de Gorila no PNI (visão 360º) (

Lá, mais uma vez arrumamos nossas coisas para o 2º dia de bivac (não levamos barraca por não ter áreas grandes para armá-la no local e não pretendíamos também abrir esse local - além do peso extra da barraca) e com o começo da noite fizemos o jantar e com uma linda Lua cheia (que fez com que em alguns momentos à madrugada parecia dia) fomos dormir.

Dia 3
Acordamos novamente por volta das 6h e enrolamos até que o Sol chegasse até nós, pouco depois das 7h, quando o relógio ainda marcava uma temperatura de 3,2ºC. Inclusive nesse dia era necessário esperar um pouco: com a neblina noturna alguns itens estavam úmidos e os deixamos secar por algum tempo no Sol antes de preparar nossa partida.

No local de bivac na base do Gorila

Por volta das 9h acabávamos de arrumar tudo e, como não haveria mais água no nosso planejamento para os próximos 3 dias, eu segui com a mochila mais pesada em 8 kg (8 litros de água) e o Parofes mais 7 kg. Pesados fomos seguindo sem pressa o caminho que eu já havia percorrido (facilitou muito para saber onde atravessar aquele charco e riachos) e íamos cada vez mais para o Sul onde, depois da pausa para almoço e atravessar a crista no final do complexo da Leoa, começamos a descer observando o Pico do Gigante ao fundo.

Fomos seguindo alguns poucos totens (que levam a lugar algum) e ao meu arquivo de GPS até que chegamos onde eu não havia ainda pisado, começando a procurar algum vestígio de trilha que permitisse que atravessássemos o vale que nos separava do Gigante (menos de 700 m em linha reta). Lá rodamos e rodamos por diversos lados e nada, todos lugares nos levavam a mata bem fechada ou precipícios (há pessoas que tem esse caminho mas o guardam para si, ajudando para o retrocesso do montanhismo, parabéns à colaboração de vocês).

Núvens passando pelo Pico do Gigante - PNI

Depois de rodar, rodar, rodar, e rodar consegui chegar até a crista na nossa frente mas já era tarde para seguir. Mesmo desanimados (e putos da vida) decidimos deixar para tentar seguir no dia seguinte, já que ainda tínhamos mantimentos e água para isso. Assim, bem próximo a um grande totem sobre uma rocha, arrumamos o local para nossa 3ª noite, onde antes do jantar e de deitar para dormir ficamos olhando as nuvens que passavam por cima da crista do Gigante ao mesmo tempo o Sol se punha atrás do Agulhas Negras, uma visão realmente linda e para poucos.

Núvens passando pelo Pico do Gigante e pôr do Sol no Agulhas Negras - PNI

Dia 4
No 4º dia acordamos, como sempre cozinhamos o café da manhã (nada glamoroso, apenas miojo), arrumamos as mochilas e seguimos nosso caminho pelo trecho que eu havia seguido até a pequena crista em nossa frente. De lá seguimos descendo para o grande vale por um caminho que ora se abria um pouco, ora fechava bem, até que, depois de umas 2h e tendo progredido pouco, saímos em uma rocha de onde não víamos uma boa rota de descida (até que seria possível descer mas não subir e, como precisávamos de um caminho que fosse possível percorrer no sentido contrário caso algo desse errado, não continuamos).

Jogando água fora depois de desistir do Pico do Gigante - PNI

Essa é a hora de maior decepção e mais difícil para um montanhista: ter que desistir, virar e voltar. Mas quem nunca passou por isso não sabe o que é montanhismo (teve diversas montanhas que consegui chegar apenas na minha 2ª ou 3ª tentativa). Então, com um nó na garganta, seguimos pelo caminho que havíamos passado deixando a montanha cada vez mais longe, parando só próximo do lugar do nosso bivac onde jogamos parte da água fora (como estávamos retornando teria bastante no caminho) e seguimos nosso caminho sem olhar muito para trás.

O caminho da volta foi pelo caminho de ida até a crista antes da face Norte do Leoa, onde paramos para um lanche (com direito a montar fogareiro e tudo). De lá continuamos por outro caminho, agora seguimos margeando sempre a base Leste do Leoa, sem atravessar o vale até o Gorila. Esse caminho em alguns trechos é muito tranquilo e aberto enquanto em outros você tem que caçar a melhor passagem entre as árvores ou para atravessar os muitos riachos que descem do Leoa (uns seis!).

Apesar de tudo foi razoavelmente tranquilo, sempre seguindo a curva de nível (quando possível) e, quando chegávamos no final do Leoa, começamos a subir sentido sua face Sul, onde encontramos um outro ótimo ponto de bivac próximo ao rio entre o Leoa e o Maromba).


No local de bivac na base do Leoa

Lá, mesmo decepcionados por não conseguir seguir e completar uma possível travessia, estávamos felizes por estar naquele lugar há 4 dias e pela sua tranquilidade. Ainda com tempo e sem pressa alguma buscamos água (o riacho desce por uma linda laje de pedra) e, depois de muito enrolar e bater papo sentados encostados na pedra que nos protegia do vento, preparamos o jantar (feito em duas partes - para não dizer que jantamos duas vezes) e fomos dormir, nossa 4ª noite bivacando olhando o céu que se acendia com a chegada da Lua cheia.

Dia 5
No nosso último dia acordamos, fizemos o café da manhã padrão, arrumamos as coisas e, com muito frio (uns 8ºC con sensação por volta de 0ºC ou menos devido ao forte e úmido vento) seguímos a crista que nos levou novamente ao cume do Pico da Maromba, onde paramos apenas uns 2 minutos para uma foto e seguimos nosso caminho, até o Marombinha. Desse ponto em diante o restante seria descida, uma longa mas tranquila descida até o carro (por volta de 1400 m desnível).

A descida foi tranquila e como fluía bem só parávamos para beber um gole de água nos riachos, deixando para descansar de verdade quando a terminasse. No caminho encontramos duas pessoas do parque que subiam a trilha à procura de um casal perdido e, pouco depois das 13h, chegamos ao carro para finalmente tirar as mochilas das costas, trocar de roupa e seguir caminho, fazendo só uma pausa em Visconde de Mauá para o merecido almoço (nada melhor que arroz, feijão, farofa, bife e salada de alface, tomate e cebola), tudo que precisávamos.

De volta ao carro mais estrada: atravessamos a serra de volta à Penedo (agora asfaltada), saímos na Dutra e, fazendo apenas duas breves pausas para foto na estrada e uma para colocar combustível, seguimos direto até São Paulo, chegando adiantados em relação à nossa programação em alguns dias mas felizes por termos passados 5 dias entre algumas montanhas que poucos visitam.

Conclusões finais
Mesmo não tendo completado o planejamento inicial a viagem valeu a pena. Repeti diversas montanhas, o Parofes subiu algumas que ainda não conhecia, e passamos 5 dias andando por uma região que gostamos muito (além disso foi a vez que mais bivaquei em sequência: 4 noites). Além disso a montanha continua por lá, esperando nossa visita.

Só lamento a atitude de alguns que se dizem "montanhistas" e não compartilham informações. Essas pessoas agem como pérolas: vivem fechadas em seu mundo como uma ostra.

Veja também o relato do Parofes dessa viagem. E algumas fotos estão aqui no meu site no link Mais uma vez na Borda Leste de Itatiaia.

- enviado por Tacio Philip às 18:11:09 de 13/05/2012.



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