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10/08/2009 11:12:00 - Escalada da via Domingos Giobbi (4ºVI A2+) em São Bento do Sapucaí - 20 anos após sua conquista!

Semana passada, dia 3 de Agosto, arrumamos as malas e saímos de São Paulo o Victor e eu mais uma vez rumo a São Bento do Sapucaí. A viagem foi tranquila, sem pausas, e no começo da noite estávamos na praça central de SB comendo um lanche e depois um açaí com leite em pó e coco ralado (eu viciei nesse).

Saindo de lá fomos para o abrigo de montanha do Eliseu onde aproveitamos para pegar umas dicas sobre a via que queríamos escalar, nada mais nada menos que a via Domingos Giobbi (4ºIV A2+) na Pedra do Bau, um big wall quase que inteiramente em artificial conquistado há exatos 20 anos (Agosto/89).

Com as dicas na cabeça, croqui na mão e muito equipamento espalhado pelo chão resolvemos ir dormir e deixar para arrumar as tralhas no dia seguinte bem cedo, e foi o que fizemos. Na 3ª feira acordamos às 5hs da madrugada, pegamos as muitas garrafas d´água para os dois dias na parede, comida, saco de dormir, acabamos de separar os equipamentos que precisávamos para a escalada (uma infinidade de mosquetões, estribos, cliffs, friends, nuts, cordas etc. etc. etc), arrumamos tudo dentro dos dois haulbags, tomamos nosso café da manhã e antes das 6hs estávamos dentro do carro dirigindo até o estacionamento do Bauzinho.

Começamos a curta trilha até o Col (colo entre Bau e Bauzinho) com os mais de 20kg de cada haulbag nas costas e lá chegando logo encontramos a parada dupla do 1º rapel que nos levaria até a trilha para o começo da via. Começamos a descida, um rapel curto de uns 20 metros e na sequência mais outro, esse bem mais longo com cerca de 50m que nos deixou na trilha bem no meio da parede do Bau. Seguimos a trilha em direção aos tetos e logo estávamos conferindo no croqui se estávamos no começo da via.

Nos equipamos e logo comecei a guiar a primeira enfiada da via, a única em livre. No croqui diz ser um 4º grau mas o Eliseu mesmo nos disse ser um 6º e depois de escalar totalmente em móvel aquela espetacular fenda concordo com a segunda graduação, realmente um 6º grau. Na parada montei o sistema para içar os bags e logo o Victor começou também a escalada até o platô que seria o lugar do nosso bivaque.

Com os bags no platô comecei a guiar também a 1ª parte da 2ª enfiada da via. Para ganhar um pouco de tempo fiz a saída até a primeira chapeleta em livre (na metade do caminho pensava: porque não saí em artificial!?!?) mas logo que passei o mosquetão com os estribos nela pude relaxar e continuar a escalada alternando lances em móvel, cliff e algumas chapeletas até a parada tripla da 1ª meia enfiada. Lá fixei a corda para o Victor subir jumareando e assim que ele chegou segui a 2ª parte da enfiada até sua outra parada, também alternando lances protegidos com friends, chapeletas e sequência de cliff.

Como chegamos razoavelmente cedo nessa parada (2ª da via) e essa era nossa meta do dia: deixar as cordas fixas até a 2ª parada e continuar no dia seguinte, resolvemos tentar esticar mais um pouco, então o Victor começou a guiar a 3ª enfiada da via, uma bonita diagonal, quase uma travessia por baixo de um grande teto. Como as colocações eram mais delicadas acabamos demorando mais tempo que o esperado então o Victor foi só até a 2ª chapeleta da enfiada (metade dela) onde fixou corda, rapelou até onde eu dava a segurança e, agora com duas cordas fixas nós rapelamos com as últimas luzes do dia até o platô onde preparamos nosso jantar e logo fomos dormir olhando bem abaixo de nós as luzes de São Bento.

A noite foi bem tranquila e quente para o padrão de SB. Acordei algumas vezes para beber água, ir ao "banheiro" e sempre admirava ao fundo as luzes da cidade que no meio da madrugada foram encobertas com núvens e uma grande lua cheia que iluminava tudo.

No dia seguinte acordamos mais tarde do que devíamos, por volta das 6hs e esse foi nosso primeiro erro. Como tudo tinha corrido mais que bem no dia anterior estávamos confiantes mas não sabíamos o que nos esperava. Tomamos tranquilamente nosso café da manhã e às 8hs começamos a jumarear (subir pelas cordas fixas usando equipamentos blocantes). Subimos a primeira 1/2 enfiada, içamos os bags (a partir dessa hora não havia mais retorno, como a via é negativa e não é possível descer rapelando nossa saída agora seria só por cima), subimos a 2ª parte e, enquanto o Victor jumareava até a metade da 3ª enfiada onde ele havia fixado a corda eu içava novamente os bags até mim e logo estava com a 2ª parada organizada dando segurança para que ele seguisse até a 3ª parada, isso já eram 10hs da manhã.

O Victor continuou a escalada e depois de mais de 2 horas de uma escalada tensa com direito a quedas estava na 3ª parada da via fixando uma das cordas para que eu limpasse a enfiada (tirar as proteções colocadas) e jumareasse até lá enquanto ele içava os 2 haulbags. Cheguei na 3ª parada por volta das 13hs e como tínhamos fixado um prazo de tempo: caso não chegássemos na 4ª parada (ou próximo dela, onde está a única rota de fuga da via que leva para a via Normal do Bau) até as 14hs sairíamos pela Normal abandonando a via. E foi o que fizemos, mas não foi tão simples assim.

O Victor começou a guiar a 4ª enfiada e olhando o croqui vimos que ela saia em uma travessia para esquerda até uma chapeleta, depois descia até uma laca e então continuava a subida por uma fenda. O começo foi tranquilo, protegido com um grande Friend, uma sequência em buracos de cliff e logo o Victor estava na chapeleta onde fixou um mosquetão e eu comecei a descê-lo de baldinho para que procurasse a continuação da via. Aparentemente devíamos descer por ali mesmo já que haviam cordeletes abandonados na chapa indicando que alguém tinha rapelado por lá mas o Victor não conseguia se manter na fenda aberta que seguia em diagonal para a esquerda e quando se soltava acabava pendurado no vazio, tendo como única opção jumarear novamente até a chapeleta (ou próximo dela) para que fizéssemos outra tentativa.

Perdemos minutos preciosos (ou melhor horas) nisso então ele achou melhor eu também fazer uma tentativa para ver se enxergava algum caminho para saírmos dali (já devia ser por volta das 15hs e agora eu não estava mais preocupado em completar a via, mas sim sair de lá naquele dia e não ter que dormir na parede em uma noite que não seria nada confortável!). Com o Victor chegando de volta na 3ª parada peguei o rack com os equipamentos e fui então fazer minha tentativa. Primeiro tentei pelo mesmo caminho que ele havia feito, jumareando até a chapeleta e descendo de baldinho a procura de lugar para colocar proteções e progredir mas também não deu certo. Olhava e olhava para o lado em todas as alturas da parede (desde a chapa até a parede negativa) mas nada de buraco de cliff ou fenda para progredir e sair dali. Subi mais uma vez até a chapa e enquanto o Victor me descia mais uma vez de baldinho fui meio que escalando de lado, me segurando onde podia, até encontrar uma fenda onde pude proteger com duas peças, para o momento foi um grande avanço!

Continuei olhando, olhando, olhando, agora mais estável por causa das proteções que não me levariam de volta ao negativo e depois de umas tentativas frustradas de pendular para esquerda fui novamente escalando de lado segurando onde podia até chegar uma outra fenda onde coloquei mais duas proteções para evitar que eu pendulasse de volta para a direita e ficasse novamente pendurado no vazio. Novamente olhada a procura de uma sequência de buracos ou fenda mas nada! Desci um pouco mais e consegui então fixar mais dois micro-friends embaixo de uma laca e progredir mais alguns poucos, mas valiosos, metros para a esquerda. Mais uma vez não encontrava nada, nem uma fenda, nem um buraco, nem uma agarra, a parede era quase que completamente lisa! Continuei a procura então achei uma pequena saliencia que provavelmente seguraria um cliff, coloquei ele o melhor que pude, dei umas leves marteladas para fixá-lo bem no lugar e então subi nos estribos e ele segurou bem o peso, tinha conseguido ir mais uns 80cm para esquerda!

Novamente a procura de fenda, buraco ou o que quer que seja para sair dali e novamente uma parede quase lisa na minha frente. A esquerda, a uns outros 80cm a 1m de mim uma pequena agarra mais salientada mas com rocha podre era minha única opção. Novamente coloquei um cliff o melhor que pude e vi que ele ficou bem firme, agora a dúvida era: será que vai aguentar meu peso? Fui aos poucos transferindo o peso dos estribos onde estava para os estribos nessa agarrinha e quando eu menos esperada ouvi um estalo e quando vi já estava pendurado pela daysi-chain (fita de segurança usada na progreção) no cliff anterior, ou seja, a agarra realmente não me aguentou e o que segurou minha queda foi o cliff anterior!

Subi mais uma vez para próximo do cliff usando quase que seu último degrau (ou seria o primeiro o mais de cima?), a agarra arrancada havia deixado uma outra saliência e lá vou eu, mais uma tentativa. Novamente o cliff no lugar, novamente transferindo o peso aos poucos e novamente um estalo e eu pendurado pela daysi sendo seguro por um cliff.

Atrás de mim eu podia ver o Sol cor de laranja cada vez mais baixo no horizonte e eu não tinha opção, eu tinha que conseguir sair dali para que seguíssemos seguir para a Normal do Bau e voltar para SB. Vendo que a menos de 2 metros para minha esquerda, depois da agarra que insistiu em não me segurar, formava um platô inclinado e na esquerda havia um diedro onde era possível segurar em oposição (toscamente mas era) resolvi tentar então sair em livre e ver onde conseguia chegar. Subi bem nos estribos, abri a perna bem para a esquerda sobre o platô inclinado (como eu gostaria de estar de sapatilha naquela hora) e fui deixando o peso do corpo cair para esquerda usando o diedro em oposição e consegui ficar em pé.

Agora eu estava em uma posição mais estável e em uma parede escalável e pude então pedir pro Victor ir dando mais corda para que eu continuasse escalando até que eu encontrasse algo. Segui mais um metro para esquerda até um platô onde no passado havia uma parada (hoje só tem os dois furos) e acima de mim uma fenda perfeita para ser protegida em móvel. Subi mais 1 a 2 metros e finalmente um friend bem colocado me deu a certeza que não ficaria na parede aquela noite.

O Sol já havia desaparecido no horizonte e com as últimas luzes montei duas paradas à prova de bomba independentes. Uma delas, com 5 peças equalizadas em 2x3 usei para me ancorar e fixar a corda para que o Victor jumareasse até mim e na outra, com 4 peças em 2x2 montei o sistema para içar os haulbags. Achei muito mais seguro montar a parada dos bags separada porque a 3ª parada, onde o Victor estava com eles, estava mais alta do que eu então quando eles fossem soltos haveria um grande pêndulo e um pouco de impacto na mesma. Dessa maneira, se ela não aguentasse, não nos levaria junto.

Quase no escuro liberei a corda dos bags de mim, o Victor os liberou da parada e o sistema aguentou sem sequer se mexer. Comecei então a içá-los até mim e vieram sem problema algum, já era por volta das 19hs quando consegui pegar minha headlamp e voltar a enxergar.

Na parada esperei o Victor e logo que ele chegou eu já estava com sapatilha nos pés pronto para seguir a escalada. O local que estávamos para mim não era mais desconhecido. Olhando para cima eu via o teto do Bau e sabia que estava bem próximo da via Anormais que eu tinha escalado com o Pedro há alguns meses. Logo o Victor montou minha segurança então comecei a subir em diagonal para a esquerda (um 4º grau), protegi depois de uns 15 metros com um friend em uma grande fenda, continuei na diagonal e logo encontrei uma das chapeletas da Anormais. A partir dali foi só subir em linha reta para cima até chegar na parada dupla da via logo abaixo do teto e início da trilha final da via Normal do Bau.

De lá mais uma vez montei o sistema para içar os bags, fixei a outra corda para o Victor e enquanto eu puxava o equipamento o Victor jumareava/escalada ao seu lado ajudando a desenroscá-lo no caminho (a parede é positiva e cheia de agarras então os bags enroscavam a cada 2 metros!). Mas no final tudo correu bem, o tempo passou e logo o Victor estava na parada e então saímos da parede para um platô onde pudemos aliviados bebem água, comer alguma coisa e guardar os equipamentos nos haulbags.

Um pouco descansados e alimentados colocamos os bags nas costas e começamos então a subida pela trilha até o topo do Bau onde chegamos por volta das 23hs! No topo mais uns minutos de descanso e às 23h15 estávamos no começo da descida da face Sul. Apesar do cansaço a descida foi bem tranquila e com direito a algumas pausas para descanso na trilha final que nos levou de volta até o carro.

No carro mais uma breve pausa para beber água (nosso último gole tinha sido na pausa que fizemos próximo a trilha de subida para o col), bags no porta-malas e agora no conforto dos bancos do Defender (sem sequer se preocupar em tirar a cadeirinha) voltamos para o abrigo em São Bento.

No abrigo um merecido banho (sendo que a luz deve ter entrado em curto no final do banho fazendo com que eu o terminasse embaixo de água gelada), um miojo e bolachas para repor um pouco a energia e na sequência cama para uma merecida longa e pesada noite de sono.

Na 5ª feira dia 6 acordamos bem tarde, por volta das 11hs e fomos direto para a cidade almoçar. Do almoço um sorvete de sobremesa e voltamos para o abrigo para arrumar as coisas, jogar tudo no porta malas e pegar estrada de volta pra SP por volta das 15hs (com direito a mais uma pausa em SB pro Açaí com coco ralado e leite em pó!). O caminho foi tranquilo e umas 19h30 deixava o Victor em sua casa e 20hs estacionava na minha.

Esse foi o primeiro bigwall que entrei até hoje mas minha pretenção é que tenham muitos outros mais. Apesar de não concluirmos a via a escalada foi espetacular e em conversas pós escalada chegamos a uma conclusão: ninguém pode falar que não conseguimos nos virar e nossa logística funcionou! Não é a primeira vez que não termino uma via de escalada (e com certeza também não é a última) mas nós dois nos sentimos confiantes durante a escalada e em nenhum momento a situação ficou fora de controle.

Agora é só se recuperar, encher os haulbags e partir para a próxima!

As fotos da escalada (não tiramos muitas) estão no link Via Domingos Giobbi SBS.

- enviado por Tacio Philip às 11:12:00 de 10/08/2009.



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