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22/07/2010 22:04:53 (#335) - Subida da Pedra Cabeça de Leoa, Pico da Cara de Gorila e Pico da Maromba no Parque Nacional de Itatiaia

Aproveitando a folga de 1 semana da Paulinha, no Sábado, dia 17 de Julho, logo de manhã pegamos estrada rumo à Visconde de Mauá onde faríamos a nossa 3ª tentativa de subida de duas montanhas: a Pedra Cabeça de Leoa e o Pico da Cara de Gorila, respectivamente a 23ª e 32ª montanhas mais altas do Brasil segundo o anuário estatístico do IBGE. Essas duas montanhas estão bem na fronteira Leste do Parque Nacional de Itatiaia e, se não forem as mais remotas, com certeza estão entre elas. Nossa primeira tentativa havia sido em Novembro de 2009 quando subimos o Pico da Maromba e Pedra Cabeça de Leão e a segunda há pouco mais de um mês quando acabamos abrindo uma nova rota na Pedra do Sino de Itatiaia.

Depois de algumas horas de estrada atravessamos a serra sob uma forte garôa e, derrapando na lama (dessa vez não fui com veículo 4x4), chegamos na metade da tarde em Visconde de Mauá, onde aproveitamos para nosso almoço atrasado. Saindo de lá mais alguns quilômetros de estrada e logo estávamos conversando com um morador do vale das cruzes, deixando o carro em um terreno cercado e começando por volta das 16h30 a subida por uma trilha que ainda não conhecíamos.

Apesar de bem molhada por causa da neblina e garôa a trilha começou tranquila a 1270m de altitude a foi ganhando altura em meio a uma bela mata. Fomos seguindo até que, às 18h, com a última luz do dia encontramos uma pedra ao lado de um rio que com certeza já foi usada para bivac - e foi onde decidimos dormir. Acertamos algumas pedras do chão, abrimos nossos isolantes, entramos nos sacos de dormir e pouco depois estávamos tendo uma razoável noite de sono (razoável por causa da irregularidade do solo com muitas pedras desconfortáveis para as costas e pernas principalmente).

No dia seguinte acordamos bem preguiçosos às 6h, sem pressa nenhuma fizemos nosso café-da-manhã, arrumamos as coisas, vestimos as roupas ainda molhadas do dia anterior e, às 8h15, atravessamos o rio e começamos o nosso segundo dia de caminhada. Até esse momento a trilha estava bem aberta e poucos minutos depois chegamos a uma grande cachoeira, com uns 50m de altura, de onde não achamos mais uma boa trilha para seguir.

Procuramos alguns caminhos e seguimos por uma trilha mais fechada que subia do outro lado do rio, pelo menos era na direção que esperávamos ir. No começo foi tudo bem mas com o tempo a trilha simplesmente desapareceu. Em alguns momentos notávamos algum galho cortado com facão por alguém há muito tempo e em outros parecia que estávamos em mata inexplorada. Fomos seguindo nos orientando com o GPS (estávamos em local de mata fechada e ainda com neblina, o que tornava impossível navegar visualmente) e, depois de algumas horas saímos na trilha "normal" que sobe do escorrega da Maromba pra parte alta do parque (parte da travessia Rebouças-Mauá).

De volta a uma trilha aberta ficamos mais tranquilos. Mesmo não tendo conseguido subir por um caminho novo agora tínhamos a certeza que chegaríamos onde pretendíamos dormir e continuamos a subida. A trilha foi ganhando altitude, a garôa foi piorando e a temperatura caindo até que, por volta das 14h15, para minha tranquilidade encontramos uma pedra bem próxima ao ponto de água na base do marombinha que seria nosso local de bivac (se não encontrássemos um local protegido nossa única opção seria abandonar a idéia, virar 180º e começar a descida para evitar sofrer de hipotermia na madrugada já que estávamos encharcados e não levamos barraca.

Dentro do nosso abrigo (que aparentemente também já foi usado para esse propósito) trocamos as roupas molhadas por algo seco, preparamos nosso jantar e deitamos para descansar. Apesar da noite ser mais fria pelo fato de estarmos bivacando mais altos (2285m de altitude aproximadamente e chegando a 8ºC) pude dormir melhor graças ao chão mais plano e ao dorflex antes de deitar :-)

A noite foi longa e muito preocupante. Mesmo com a previsão do tempo indicando que na 2ª feira teríamos tempo bom, depois de dois dias na chuva o ânimo de ninguém se mantém muito em pé e muitas vezes passava pela nossa cabeça que teríamos de desistir mais uma vez de tentar as montanhas, agora por causa do mal tempo.

Na 2ª feira acordamos às 6h, tomamos nosso café da manhã e tivemos uma boa surpresa: céu azul! Depois de 2 dias na chuva era o que realmente precisávamos e, por volta das 7h40, apenas carregando na mochila água, lanches e lanternas começamos a caminhada voltando pela trilha até a bifurcação que começa a subir para o cume do Marombinha, o primeiro cume de uma grande crista que leva ao cume do Pico da Maromba.

Começamos a subida animados com o clima perfeito e logo passamos pelo Marombinha e seguimos para o grande Maromba a 2619m de altitude. Fizemos uma pausa para lanche, fotos e logo começamos a descida rumo ao Maromba Sul, um 3º cume na por onde havíamos passado quando subimos o Cabeça de Leão, só que dessa vez em vez de seguir rumo Sul descemos para Leste e logo estávamos subindo a crista final do Cabeça de Leoa, chegando ao seu cume às 11h30!

No cume uma pausa bem rápida já que o tempo indicava mudanças e 5 minutos depois da nossa chegada começamos a seguir o caminho inverso passando novamente pelos outros 2 cumes da montanha. Fizemos mais uma pausa para lanche e entre uma núvem e outra decidimos descer direto rumo ao Cara de Gorila. O começo foi tranquilo, seguindo por lajes de pedra, mas logo tudo mudou. Em nossa frente encontramos Capim Elefante (ou algum parente próximo) e muito bambuzinho. Lentamente fomos seguindo e mais um crux na caminhada: o vale inteiro entre as duas montanhas era um charco!

Como as botas ainda estavam úmidas devido aos dias anteriores não tivemos dúvida e seguimos atravessando o charco por onde seguia a água (pelo menos havia espaço entre os bambus e capim para conseguir progredir). Foram longos 45 minutos ou mais com direito a afundar até a coxa na água mas atravessamos e começamos então a subir rumo a crista do Cara de Gorila. Chegando na crista tudo ficou mais fácil e, às 14h, finalmente chegamos ao seu cume!

No cume uma pausa rápida já que era tarde e quando começavamos a descer resolvi passar ao lado de um totem e olhar se não havia registro de cume sob o mesmo, e havia! Com cuidado puxei uma das pedras, peguei um tubo de remédio tampado com silver tape já apodrecido e, com muito cuidado, tirei de dentro os 3 papéis com texto sobre a subida da montanha. Um deles indicava o ano de 1989, o outro de 1996 e o outro sem ano, mas por falar que era a primeira subida do milênio creio eu ser de 2001, ou seja, a última subida documentada da montanha tinha sido há quase 10 anos! Além disso elas indicavam ter subido pela Serrinha, bairro próximo de Penedo, e não pelo caminho que havíamos seguido.

Ficamos uns 30 minutos ao lado do totem fotografando, deixamos também uma folha com nossos nomes e caminho seguido e aproveitei também para colocá-los dentro de um plástico impermeável para tentar preservar esse registro de 21 anos! Com tudo de volta ao local começamos a nossa descida, agora seguindo até o final da crista da montanha onde se encontram o riacho que desce da Maromba e o que vem do colo entre a Leoa e Gorila e de lá seguimos subindo novamente em direção da Leoa (mas dessa vez sem ter que atravessar o charco). Quase chegando ao cume da Leoa seguimos então pelo nosso caminho de ida passando mais uma vez pelo Maromba Sul, Maromba, Marombinha e finalmente, já de noite, às 20h20, depois de 12h40 de caminhada chegamos ao nosso local de bivac!

Completamente exaustos pelos mais de 1200m de desnível acumulado e quase 15km de trilha fizemos nosso jantar e logo fomos dormir com a grande satisfação de dever cumprido, dessa vez conseguimos subir essas duas montanhas remotas do parque nacional de Itatiaia!

No dia seguinte acordamos sem pressa nenhuma, arrumamos as coisas e, às 10h25, começamos a descida. Cansados de perrengue descemos lentamente pela trilha "normal" chegando às 14h no escorrega onde aproveitamos para um pastel e alguns minutos de descanso. De lá novamente mochilas nas costas e logo que estávamos ao lado do estacionamento onde eu havia deixado o carro na outra ocasião conseguimos a primeira carona com um casal de Valinhos, interior de São Paulo. Com eles fomos até o Poção onde, após poucos metros, conseguimos a segunda carona, agora com um casal de SP que nos deixou em Maringá. De lá mais uns minutos caminhando e então nossa 3ª e última carona, na caçamba de uma caminhonete de Resende que nos deixou no trevo do vale das cruzes.

De volta a caminhada seguimos pela estrada, passamos ao lado de uma rocha onde havia um pessoal escalando (falésia das cruzes), paramos algumas vezes para fotos (inclusive de uma bonita cobrinha que tentava me atacar) até que às 16h10, depois de 1h10 de caminhada, finalmente chegamos ao carro.

No conforto do banco seguimos estrada fazendo só algumas pausas para fotografias e logo estávamos em Itatiaia procurando hotel para nos hospedar. Conseguimos vaga no hotel country e antes mesmo de deixar as coisas no quarto fomos até um posto de combustível próximo para o merecido jantar. De volta ao hotel um bom banho e uma longa noite de sono secos e em uma cama!

No nosso último dia de viagem fomos passear na parte baixa do PNI. Na entrada do parque a atendente me perguntou se eu era brasileiro e mesmo dizendo que sim ela insistia que eu apresentasse meu visto de permanência no país (onde será que se tira visto de permanência de brasileiros no Brasil? Veja o vídeo!), fizemos um passeio na cachoeira véu de noiva, almoçamos no hotel Ypê e depois de uma passada pelo fechado Hotel Simon pegamos estrada de volta à São Paulo, onde chegamos no começo da noite.

Esses 4 dias na montanha foram bem desgastantes mas tudo correu bem. No final conseguimos as duas montanhas que queríamos e ainda repetimos outra. E o Projeto 2010 vai bem, até agora foram 5 montanhas, faltam "apenas" outras 5. Algumas delas serão tranquilas (2), já as 3 restantes serão motivo de longos relatos como este! É só esperar!

As fotografias estão disponíveis no link Cabeça de Leoa e Cara de Gorila.

E veja abaixo os vídeos feitos durante essa viagem (lista de reprodução e vídeos separadamente):

Lista de reprodução com todos vídeos

Estrada de acesso a Visconde de Mauá, muita lama!

Subida do vale das cruzes para Pico da Maromba

Subida do vale das cruzes para Pico da Maromba II

Caverninha de bivac na base do Pico da Maromba

Vista do cume do Pico da Maromba em Itatiaia

Chegada no cume da Pedra Cabeça de Leoa

Descida da Pedra Cabeça de Leoa e ida pra Cara de Gorila

Charco no colo entre Cabeça de Leoa e Cara de Gorila em Itatiaia

Depois do charco no colo entre Cabeça de Leoa e Cara de Gorila em Itatiaia

Cume do Pico Cara de Gorila em Itatiaia

Registros de cume no Pico Cara de Gorila

Encontro dos rios que descem do Maromba e do vale entre Leoa e Gorila

Perto do cume do Maromba Sul depois do Leoa e Gorila

Chegada no Escorrega depois da escalada do Maromba, Cabeça de Leoa e Cara de Gorila

Virando "eco-turista"

Pergunta sobre visto de permanência de brasileiros no Brasil na portaria do PN Itatiaia

- enviado por Tacio Philip às 22:04:53 de 22/07/2010.



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