Há algum tempo coloco para download aqui no meu site pessoal arquivos para GPS captados em caminhadas de aproximação de escaladas em rocha, trilhas e travessias em montanhas ou apenas passeios interessantes que acho que valem a pena serem feitos.
Hoje, aproveitando o tempo chuvoso atualizei a página de arquivos e além de conter os tradicionais arquivos em formatos gtm para GPS TrackMaker e gdb para MapSource agora estão disponíveis também em formato kml para o Google Earth.
Dessa maneira quem ainda não está familiarizado com GPS e softwares relacionados poderá abrir os arquivos em um programa muito mais popular, o Google Earth, e visualizar os tracks e waypoints marcados.
Agora é só esperar o tempo melhorar (nesse inverno está chovendo muito!) e arrumar as mochilas para subir mais montanhas e escalar. Se o clima colaborar em breve novidades!
Dia 22 de Julho, um dia reservado para descanso depois da roubada do dia anterior (veja aqui o que aconteceu) eu e o Osvaldo pretendíamos ficar o dia todo sem fazer nada acabamos indo escalar no Morro do Gato com um pessoal do Rio de Janeiro que também estava alojado no refúgio do Sergio Tartari.
O Morro do gato é bem próximo e fomos todos andando até a base da via Bode da Tarde (D1 4o. IV E1 130m) onde ao chegar eu e o Osvaldo nos equipamos e logo comecei a subida. Como tínhamos levado só uma corda de 50 m pensei em esticar direto até a 2a. parada, de onde eu faria a segurança do Osvaldo e ele seguiria o resto. Fui subindo e logo ele me avisou que a corda estava no final. A parada ainda estava uns 10 metros acima e a última proteção que eu tinha passado a uns 8 metros abaixo. Em vez de desescalar falei pro Osvaldo e tocarmos a via à francesa, ou seja, cada um em uma ponta da corda e escalando simultaneamente, e foi o que fizemos.
Segui mais alguns bons metros passando por mais umas 3 proteções mas resolvi parar em uma delas porque o arrasto da corda estava muito grande. Montei então a segurança para o Osvaldo e logo que ele chegou seguiu direto até o final da via de onde fez minha segurança. Dessa maneira nossa subida foi muito rápida e levamos cerca de 45 minutos para escalar os 130 m da via.
No cume ficamos descansando, fazendo muitas fotos dos 3 Picos e depois e mais de uma hora por lá resolvemos descer. Na descida nos despedimos dos cariocas (que ficariam até de noite por lá) e voltamos para o alojamento, tomamos um banho, pegamos o carro e fomos até Nova Friburgo comer uma pizza. Depois foi só voltar para o alojamento, preparar a mochila para o dia seguinte e dormir.
No dia seguinte acordamos às 5 hs com o despertador, levantamos, tomamos nosso café da manhã e seguimos para o Pico Maior de Friburgo. Nossa meta do dia era escalar a via Décadance avec Élégance (D4 5o. VIIa (AO/VIIc) E2 700m).
Chegamos onde fica o carro, pegamos e mochila e começamos a trilha rumo ao Pico Maior. Fomos subindo apreciando um lindo nascer do Sol e logo estávamos na base da via Leste, uma via que eu escalei ano passado.
Voltamos um pouco pela trilha e meio que em trilha fechada e em alguns lances abrindo caminho no peito começamos a procura da Decadance. Fomos contornando a montanha e então às 8 hs, duas horas depois de começar a caminhada achamos uma base confortável que aparentava ser da via que íamos escalar. Nos equipamos e logo comecei a subir. De cara percebi que não estava na via porque não havia uma proteção sequer mas a Decadance devia estar próxima. Como a escalada era super tranquila, um 2o. grau, continuei subindo na esperança de enxergar algum P ou chapeleta e poder ir até ele e continuar.
Fui subindo, subindo, subindo e, em um ponto após uns 30 metros solando, consegui colocar uma proteção em uma fenda e continuei subindo, subindo até que o Osvaldo me avisa pelo rádio que a corda estava no fim. Falei para ele entrar direto e seguirmos à francesa até achar alguma coisa. Continuei a subida e quando cheguei em um platô confortável dei a segurança do Osvaldo até que ele chegou até mim. De lá ainda não víamos uma proteção sequer e pelo guia de escaladas vimos que estávamos no começo da via Paradoxo (D4 6o. VI+ E5 450m).
Pela foto com as vias víamos que a Decadance estava a nossa esquerda e para evitar a perda de tempo de rapelar (ou desescalar já que não havia proteções fixas) e procurar a sua base mais uma vez resolvi continuar escalando fazendo uma travessia até chegar na via. A travessia foi tranquila, passando por trechos de rocha e alguns entre algumas bromélias e logo achei uma parada onde esperei o Osvaldo chegar também.
Na parada mais uma vez olhando os croquis e percebemos então que já estávamos na 4a. parada da Decadance! De lá foi só alegria e continuar escalando seguindo o croqui.
Fomos subindo alternando a guiada e não tivemos problemas até a 13a. parada da via. Na 14a. enfiada o Osvaldo foi escalando e como havia mais chapeletas no caminho de outras vias que cruzam ou pelo menos passam perto da que seguíamos ele se enganou e seguiu errado até a base da chaminé da Leste à esquerda, sendo que a parada que procurávamos estava à direita.
Comecei a subir e a procurar o verdadeiro caminho para a 14a. parada. Depois do Osvaldo rapelar até um platô e eu seguir bem para a direita finalmente achei uma chapeleta e consegui ver o Bico de Pedra para onde tínhamos que ir. Fiz algumas tentativas de travessia, sempre com muito receio já que, se eu levasse uma queda, faria um belo de um pêndulo mas depois de algumas tentativas cheguei até o Bico de Pedra de onde dei a segurança do Osvaldo.
Com um atraso de pelo menos uma hora por causa desse erro e com o psicológico abalado por causa disso continuamos a escalada sendo que guiei a enfiada em articial (onde inclusive levei uma picada na mão de uma abelha solitária que passeava por lá), depois o Osvaldo guiou a 15a. enfiada, eu a 16a. que foi a primeira chaminé que eu gostei até hoje (movimentos muito bonitos em boas agarras e com boas oportunidades para proteger com peças móveis) e cheguei assim até o último "P" da via, o mesmo da via Leste. De lá o Osvaldo seguiu para o cume e eu logo em seguida, chegando por volta das 17h30 e observando os últimos raios de luz.
Diferente de dois dias atrás no Capacete a descida não seria problemática já que eu tinha marcado o ponto de rapel no GPS. Fomos então até o cume, assinamos o livro (que na verdade só tem umas flhas soltas por lá), fizemos algumas fotos e já no escuro partimos para a parada da via Sylvio Mendes, a mais recomendada (e usada) para rapelar do cume do Pico Maior.
Juntamos as duas cordas, passamos pelas proteções e logo comecei a descida. Nessa longa sequência de rapéis tudo correu muito bem, o único momento que desviei um pouco do caminho mas logo encontrei o lugar correto foi rapelando da 9a. parada da via para a 7a. (como estávamos com 2 cordas pudemos descer de 2 em duas paradas para ganhar tempo) onde entrei para a chaminé da esquerda em vez de seguir pelo pilar, mas logo me achei e continuamos então a longa descida.
Fomos descendo e logo chegamos na sequência de chaminés (onde tive que aproveitar para beber e pegar um pouco de água em uma poça d'água "meio parada" já que a minha tinha acabado), fizemos um trecho de trilha, mais um rapel longo, mais uma pausa para guardar uma das cordas, mais trilha, mais rapel, mais trilha e finalmente o último rapel que nos levou até o colo entre o Capacete e o Pico Maior.
Cansados mas aliviados pelo fato da corda não ter enroscado nenhuma vez durante os rapéis e tudo ter corrido bem nos desequipamos, guardamos tudo na mochila e novamente seguimos pela trilha até o carro e de lá para o alojamennto para o tão esperado macarrão com atul, cebola, linguiça calabresa e milho verde!
Depois disso foi só tomar um banho bem quente, um diclofenaco mais um dorflex e desmaiar na cama até o dia seguinte.
Hoje acordamos umas 8h30, arrumamos sem pressa alguma todas as tralhas e agora vamos almoçar. Na sequência partimos de Nova Friburgo e vamos procurar um Acaí em Teresópolis. Se o tempo estiver bom escalaremos alguma coisa pelo Rio, senão não sabemos se vamos para algum lado ou se antecipamos nossa volta para São Paulo.
Algumas fotos das escaladas aqui em Salinas estão no link Escaladas Salinas.
Alguns dias servem para superar nossos limites e aumentar nosso nível de conforto em determinada situação.
Na última 2a. feira saímos de São Paulo o Osvaldo e eu e, depois de umas 9 hs de estrada estávamos estacionando no começo da noite no Abrigo das Águas do Sérgio Tartari em Salinas.
No dia que chegamos só conhecemos algumas pessoas que estavam por aqui e logo fomos dormir para escalar cedo no dia seguinte. Nossa idéia era escalar a via CERJ (D3 5o. V (A0/VI+) E2) no Capacete e aproveitamos para pegar algumas dicas, principalmente do acesso e rapel, com outros escaladores que já tinham a escalado.
Na 3a. feira (21/07) acordamos cedo (mas sem madrugar) às 6 hs com o despertador e depois de um lento despertar tomamos nosso café da manhã, acabamos de arrumar as mochilas e por volta da 7h20 pegamos estrada rumo ao Capacete. A subida da estrada foi tranquila (pouco mais de 4,5 km) mas bem esburacada. Nessas horas estar de 4x4 faz diferença.
Deixamos o carro às 7h40 e começamos a subida da trilha. Eu nunca tinha escalado no Capacete mas tinha noção da direção da trilha por causa da minha escalada no Pico Maior ano passado já que, durante a descida fomos pela trilha no colo entre essas duas montanhas. Continuamos a subida e depois de passar a placa de acesso ao setor Rodolfo Chermont do Capacete usamos o guia do Tartari para nos orientar. Passamos então pelo portão de ferro, pela casa, fomos até o riacho e antes dele começamos a subir em direção à face Norte do Capacete (navegando por instinto já que em nenhum momento conseguíamos ver a montanha por causa de uma forte neblina).
Como haviam nos dito a trilha é bem fechada e em alguns momentos não da pra saber sequer se existe uma trilha mas continuamos a subida lembrando de algumas dicas do dia anterior e usando um pouco de instinto para chegar até a parede.
Fomos subindo por um vale de mato entre duas paredes e às 9 hs achamos que tínhamos achado a via. Nos equipamos e eu entrei então para ver se realmente era a CERJ. Escalei alguns poucos metros e logo percebi que estava na via Devaneios do Repouso (D3 5o. VI (A0/VIIb) E3) uma via que o próprio guia de escalada da região diz ser a mais exigentes do Capacete. Comecei escalando com cuidado e depois de alguns minutos de stress estava na primeira proteção da via. De lá fiquei feliz por enxergar a próxima então continuei a complicada e delicada subida até chegar na sua 3a. proteção fixa. Até onde eu estava a via ia positiva mas completamente sem agarras, só aderência. Em pouquíssimas situações eu encontrava alguma agarra para os dedos com 1/2 cm de tamanho e que só servia de ponto equilíbrio, se um pé escapasse não haveria como evitar uma boa queda - e como a via tem grau de exposição E3, quem escala sabe como é, eu escalei pelo menos uns 20 metros e só haviam 3 grampos "P" no caminho).
Pouco acima da 3a. proteção vendo que a continuação que o croqui indicava era ainda pior do que eu havia escalado (ainda protegido em móvel e não tinha certeza para onde seria a parada) resolvi desistir e procurar uma rota de fuga. O mais óbvio no momento era uma laca na minha esquerda onde eu poderia proteger em móvel antes de procurar a parada ou tentar montar um rapel e descer. Fiz uma travessia bem técnica em aderência com muito equilíbrio e logo depois de uma quase queda que me fez suar frio (eu cairia uns 20 metros até ser travado pela corda) cheguei na laca. Lá percebi que não tinha sido o único já que lá mesmo havia um cordelete abandonado laçando uma dessas lacas (usado para rapel). Fiquei alguns longos minutos pensando o que fazer e decidi que o melhor mesmo seria descer. Como estava com corda dupla o Osvaldo liberou uma delas e fez minha segurança enquanto eu rapelava com a outra corda até que eu chegasse no 3o. "P" da via onde montei o rapel que me levou até o chão.
A primeira parte do rapel foi muito estressante. O fato de fazer rapel em uma laca laçada com um cordelete não me assusta, mas quando você olha essa laca e percebe que ela esta solta e já mexeu no sentido que você pretende descer faz você realmente suar frio. Por isso fiz de lá um rapel só até a 3a. proteção - e com a segurança do osvaldo na outra corda caso a laca resolvesse cair de vez - e felizmente tudo correu bem. Às 11h20 já tinha descido, comido uma bolacha e me desequipado para descer a trilha.
Como ainda era cedo fomos então procurar a verdadeira base da via CERJ e marcá-la no GPS para que pudéssemos voltar no dia seguinte sem nenhum erro e perda de tempo. Fomos andando, contornando pedra, subindo pedra, olhando croqui, guardando croqui e logo vimos que estávamos no caminho certo. Subimos por outro vale entre rochas, alguns trepa pedras, uma pequena chaminé e às 12h20 estávamos realmente na base da via. Lá eu e o Osvaldo nos olhamos e mesmo o com horário mais avançado perguntamos um pro outro "vamos?". Como conhecemos o ritmo um do outro a resposta na hora foi "vamos!" então nos equipamos novamente e o Osvaldo começou guiando a primeira enfiada.
O começo da escalada foi perfeito e muito rápido. Mesmo usando algumas peças móveis em uma enfiada e com vários esticões em outras estávamos muito confiantes e escalando rápido. Cerca de 2 hs depois de começarmos a subida estávamos fazendo uma pausa para um lanche na 6a. parada da via mas ai na sequência começaram alguns imprevistos. Primeiro o Osvaldo escalou até uma 7a. parada altenativa sendo que ele não achou a parada real e parou em apenas um "P" após um primeiro lance em artificial (5 parafusos antigos) e que não era o artificial da CERJ. O Sérgio Tartari depois disse que provavelmente entramos em alguma tentativa da conquista original da via. Para piorar, ele mandou esse lance bem complicado (aderência) depois de um esticão com mais de 15 m da última proteção, levar uma queda não era uma opção que podia ser cogitada.
Subi de segundo até onde ele estava e começamos a estranhar a via. Um pouco abaixo de nós víamos um P que achávamos ser a verdadeira 7a. parada (mas faltavam outros para chegar até ela) e 5 parafusos do trecho em artificial. Até ai tudo bem, mas na continuação deviam haver 4 parafusos (ou chapeletas, ou qualquer outra coisa) e só haviam dois e para cima mais nenhuma proteção, mostrando que realmente tínhamos bobeado em algum lance e saído da via. O Osvaldo aproveitou que estava no pique daquele lance e então continuou a escalada até parar em uma parada dupla com duas chapeletas Bonier de uma via lateral à nossa. Subi em seguida até a parada e vimos então que também não havia mais proteções acima mas nossa única opção era continuar escalando. Subi então na sequência e protegendo em móvel onde dava (em uns 30 metros consegui colocar 2 friends) e como vi que estava chegando no topo e já era possível ir andando montei uma parada em móvel para que o Osvaldo se juntasse a mim e então continuassemos caminhando até o topo.
Com todo o atraso às 16h40 terminamos a via e chegamos no cume do Capacete. Fizemos uma pausa rápida para foto, guardar na mochila o equipamento que não usaríamos na descida e nossa maior preocupação no momento era: descer!
Com as últimas luzes do dia, que apresentaram um pôr-do-Sol espetacular sobre um mar de núvens (infelizmente sem fotos já que havia outra prioridade) usamos o GPS para indicar o lado que acreditávamos estar a via de descida (estava muito nublado e não era possível enxergar o Pico Maior) e começamos a procura. Ficamos rodando e rodando pelo cume até que em uma abertura de 10 segundos pudemos ver realmente onde estava o Pico Maior e encontrar alguns tótens que nos levaram até o topo da via que rapelaríamos. Já eram 18h05, o Sol tinha se posto há meia hora e estava completamente escuro.
Começamos então nossa descida e eu abri o primeiro rapel. Tirando alguns enroscos de corda no começo tudo parecia bem até que começou a ficar complicado de achar a parada. A via que estávamos descendo é apenas uma via para rapel, ou seja, só teria paradas duplas a cada 25 ou 30 metros (se quem a montou for bonzinho e pensar em quem escala usando só uma corda) ou, no pior dos casos, a cada 50 ou 60 m para quem faz o rapel com duas cordas. Em vias "normais" é mais fácil rapelar no escuro já que você vai seguindo as proteções. Em uma via que não tem proteções intermediárias para saber se a próxima esta bem abaixo, para a direita ou para a esquerda, e foi o que aconteceu. Depois de muitos minutos no primeiro rapel procurando a parada consegui a encontrar depois de 50 metros de rapel.
Na sequência o Osvaldo desceu até onde eu estava e, enquanto tirava a corda do freio deixou ele cair. O tempo estava muito frio e ventando o que afeta (e bastante) a sensibilidade dos dedos. Já estávamos tensos com o rapel no escuro e querendo terminar logo, agora perder um freio desanima mais ainda qualquer um. A primeira opção que ele deu foi rapelar usando nó UIAA, mas como são rapéis longos eu não queria que ele fizesse dessa maneira para não torcer a corda (depois é muito ruim de destorcer e nunca volta a fica como antes) então relembramos juntos como fazer um freio só usando mosquetões. Felizmente eu tinha alguns mosquetões ovais e eles ficaram perfeitos nisso.
O Osvaldo abriu o segundo rapel e depois de 25 metros achou uma parada dupla e parou. Desci até ele e começamos a achar que tudo continuaria bem e dentro de poucos minutos estaríamos no chão na trilha para o carro, mas não foi isso que aconteceu.
O Osvaldo começou o terceiro rapel e os minutos foram passando e passando e passando. O frio estava rigoroso e ainda ventava na parada que eu estava e eu tremia muito. Mas mal sabia eu que o Osvaldo estava em situação pior: Ele foi descendo procurando a próxima parada até que a corda acabou e não havia parada.
Depois de muitos minutos congelando a corda se afroxou um pouco e mal conseguindo entender o que ele falava entendi que era para eu descer e procurar as paradas da via e foi o que fiz. Comecei a descer devagar olhando para todos os lados - principalmente para o esquerdo já que tinha visto um P a uns 10 metros na diagonal da parada - e logo tinha descido uns 45 metros e nada de parada. Consegui falar com o Osvaldo e minha sugestão era irmos bem para a esquerda da parede já que eu tinha visto aquele P para a esquerda da parada e achava que encontraria algo para aquele lado. O problema é que o Osvaldo só tinha conseguido liberar um pouco a corda porque ele tinha entrado em um buraco na parede e esse buraco ainda estava bem para a direita e abaixo de uma parede negativa, ou seja, não era fácil ele voltar para a corda (mesmo ainda estando presa a ele) e "andar" pela parede para a esquerda.
A solução foi eu ficar parado onde estava enquanto o Osvaldo jumareava alguns metros pela corda até que conseguisse "andar" por ela. Fiquei parado aguardando e veio um belo susto. Eu estava mais para a esquerda da parada procurando pela próxima e o Osvaldo para a direita, foi ele colocar o peso na corda que eu levei uma queda pendulando que com certeza teve mais de 20 metros horizontais! O nível de adrenalina/stress que já era alto agora estava na estratosfera! Mas depois de estabilizar minha única opção era ficar parado esperando o Osvaldo subir um pouco (quando ele colocou peso na corda ele travou meu freio e não era possível eu subir ou descer, minha única opção era mesmo esperar).
Alguns minutos mais e o Osvaldo conseguiu subir pela corda até um ponto da parede mais positivo (essa descida foi toda muito vertical). Fomos então juntos andando pela parede para a esquerda e eu já pensava que, caso não encontrássemos a parada, a única saida seria ir para o buraco que o Osvaldo tinha achado e esperar até o dia seguinte quando clareasse para descer. Mas felizmente, quando estávamos bem para a esquerda achei a parada! Foi um momento de êxtase, a chance de termos que dormir na parede com frio e vento tinha caído (mas ainda não era nula e tínhamos que manter a atenção a cada movimento que fazíamos).
Como eu estava tendo mais sorte para encontrar as paradas eu fiz então esse rapel. Comecei a descer e depois de algum tempo achei uma parada. Medi quando ainda sobrava de corda e eu tinha descido só 25 metros, então resolvi continuar a descida. Como estava muito escuro e o alcance da minha lanterna é pequeno fui descendo, descendo até que finalmente cheguei ao chão firme depois de mais uns 50 metros de rapel.
O Osvaldo desceu então até onde eu estava, felizes nos cumprimentamos pela escalada e pela roubada que tinha sido descer de noite e respiramos aliviados por não ter que dormir no cume ou na parede, mas ainda não tinha acabado. Fomos puxar a corda e, como não podia deixar de ser, a lei universal de Murphy que diz: "se uma coisa pode dar errado ela vai dar errado" estava lá presente (ficou nos perseguindo boa parte do dia) e, ao puxar a corda, ela enroscou em uma árvore que fica em um platô a uns 15 metros acima de onde estávamos. Tentamos de toda maneira puxar colocando todo nosso peso na corda mas nada. O Osvaldo (que estava craque em jumarear) pediu o tibloc, fez um prussic com um cordelete e começou então a subida até a árvore para liberar a corda. Ao descer ele disse que a corda tinha feito um tipo de laço e se prendido a um galho, não importava o quanto puxássemos nunca iria soltar.
De volta ao chão, agora com as cordas puxadas e dentro das mochilas nos desequipamos e às 21h30 começamos a descida da trilha! Durante a descida tudo correu bem e descemos bem tranquilos e devagar para evitar qualquer imprevisto que pudesse acontecer. Às 22h40 chegamos no carro e viemos direto para o abrigo onde preparei um macarrão com molho de tomate com cebola, milho e atum! Não sei se era a fome, mas tanto eu quanto o Osvaldo achamos ótimo!
Agora são quase 1h30 e estou acabando de escrever o texto para postar depois. Cheguei inspirado e não quis esperar até outro dia já que alguns detalhes acabariam se perdendo.
E como eu comentei na primeira linha do texto, alguns dias servem para superar nossos limites e aumentar nosso nível de conforto em determinada situação. Hoje foi um típico dia que eu sei que está terminando comigo diferente do que começou (e o Osvaldo também). Desde o começo do dia com a procura da via, escalada de um pedaço de via errada, rapel muito arriscado (o mais arriscado que fiz até hoje e eu odeio rapel), escalada de uma via sem certeza do seu caminho quase no seu final e, para completar, a longa procura do ponto de rapel e descida à noite com direito a muito frio, não achar parada e corda enroscada para fechar, isso realmente faz você ver como as coisas acontecem e como é estressante em algumas situações lidar com elas, principalmente em uma situação que você sabe que, se errar você está morto.
Mas isso não é ruim, apesar de um pouco traumatizante (inclusive amanhã nem vamos escalar) serve para melhorar o seu raciocínio e ações em situações limite e no final aumenta o seu nível de conforto te deixando mais preparado para imprevistos.
Algumas fotos das escaladas aqui em Salinas estão no link Escaladas Salinas.
Ontem (18/07/09) foi a apresentação do Paul Di'Anno, ex-vocalista do Iron Maiden, no Manifesto Rock bar aqui em São Paulo.
Eu não esperava muita coisa já que ao meu ver ele é um punk revoltado que faz questão de falar mal do Iron Maiden mesmo depois de quase 30 anos que foi despedido pelo Steve Harris (e hipócrita já que consegue seu sustento tocando músicas dessa fase da banda já que pouquíssima pessoa conhece sua carreira solo). E mesmo assim a época que ele foi o voicalista (até 79-81) não é minha fase predileta da Donzela de Ferro.
Mesmo assim sai com a Paula e fomos no Manifesto no Sábado à noite. Por email me informaram que o local abriria às 18hs, banda de abertura 19hs e o show do Paul às 20hs então saímos de casa 19h15 e por volta das 19h40 já estávamos lá dentro tendo tempo de ainda ouvir algumas músicas com a banda Scelerata, banda Gaucha que além de abrir os shows do Paul está tocando com ele na turnê brasileira.
O show foi bom, a banda é bem afinada e por volta das 20h30, logo depois da banda tocar Ides of March o Paul Di'Anno desce as escadas do Manifesto e começa a cantar Wratchild. O show correu bem alternando algumas músicas da sua carreira solo e algumas do Iron Maiden. As músicas que eu mais esperava ouvir foram Remember Tomorrow e Phantom of The Opera e, mesmo sendo em um ritmo e vocal puxando muito mais para o punk rock (estilo que não me agrada) valeram por ter visto pela primeira vez o Paul Di'Anno ao vivo.
Apesar do show ter sido agitado é fato que mesmo quem é fã do Paul perceber que ele não tem mais o vocal de antes (é só ouvir os primeiros albuns do Iron ou o EP Maiden Japan de 81 para notar a diferença!). Além disso graças a um problema na perna (?) ele quase se arrastou para descer as escadas do Manifesto - mas isso não justifica o vocal, mas o cigarro entre as músicas e o whisky sim.
Mesmo não tendo sido o melhor show da minha vida valeu a pena, vi pela primeira vez o Di'Anno ao vivo em um ano repleto de Iron Maiden onde em Janeiro assisti o show do Blaze Bayley no Manifesto e em Março o Iron Maiden no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.
Algumas fotos que fiz durante o show já estão no link Show Paul Di'Anno SP.
Set List do show
Ides of March *
Wrathchild *
Prowler *
Marshall Lockjaw
Murders in the Rue Morgue *
The Beast Arises
Children of Madness
Remember Tomorrow *
Impaler
Faith Healer
A Song For You
Killers *
Phantom of the Opera *
Running Free *
Transylvania *
Mad Man in the Attic
Blitzkrieg Bop
(* Iron Maiden)
Como um adepto por um mundo sem fumantes (seja de fumo legalizado ou drogas ilícitas), abaixo texto que saiu hoje no site da FolhaOnline e no blog do Luciano (www.blogdescalada.blogspot.com).
Mais informações: www.leiantifumo.sp.gov.br e para denunciar estabelecimentos que não cumpram a lei: 0800 771 3541.
Multa por fumar em SP chega a R$ 3.170 e fechamento do estabelecimento CLAYTON FREITAS da Folha Online
Resolução publicada nesta sexta-feira no "Diário Oficial" da Cidade de São Paulo estabelece multa de até R$ 3.170 e fechamento de locais que desrespeitarem as limitações previstas na lei antifumo em São Paulo, que entrará em vigor a partir de agosto próximo.
Segundo a resolução, é proibido o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos ou qualquer outro produto utilizado para fumar --mesmo que não derivado do tabaco-- em locais total ou parcialmente fechados, mesmo que apenas por paredes, divisórias, teto o telhado.
A proibição é extensiva a ambientes de trabalho, estudo, cultura, culto religioso, lazer, esporte, condomínios ou entretenimento tais como teatros, cinemas, bares, lanchonetes, bares, restaurantes e bancos supermercados e até em veículos de transporte coletivo --aí incluso os táxis.
A resolução traz ainda o modelo de aviso que deve ser veiculado, com dimensões de 25 centímetros de largura por 20 centímetros de comprimento. O aviso pode ser reduzido proporcionalmente caso seja utilizado em locais menores, até o mínimo de 10 centímetros de largura por 7 centímetros de altura.
Punições
A lei não prevê punição ao fumante infrator, mas os estabelecimentos podem ser multados por órgãos estaduais de vigilância sanitária com base no Código de Defesa do Consumidor, podendo ser interditados.
Numa primeira autuação, o valor mínimo estipulado varia de 50 Ufesps Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), ou cerca de R$ 792,50, até 100 Ufesps, R$ 1.585.
Em uma segunda autuação, ele poderá receber a multa em dobro, ou seja, até o valor máximo de R$ 3.170.
Se o responsável infringir novamente qualquer dispositivo da lei --se for flagrado pela terceira vez-- estará sujeito a penas de interdições que vão de 48 horas até 30 dias (no caso de uma segunda interdição).
Blitz
Cerca de 500 agentes da Vigilância Sanitária e do Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) realizam blitze com o objetivo de orientar os empresários e consumidores sobre a nova legislação que proíbe o fumo em ambientes fechados de uso coletivo.
Quando a lei entrar em vigor --em agosto--, serão utilizados equipamentos capazes de averiguar a presença de monóxido de carbono nos ambientes durante as fiscalizações.
Segundo o Centro de Vigilância Sanitária do Estado, 500 técnicos do Procon (do Estado e dos municípios) e da Vigilância Sanitária, outros 1.200 agentes do Estado --também ligados a Vigilância Sanitária-, integrarão em suas rotinas a fiscalização da lei antifumo.
Polêmica
Um dia após o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) derrubar a decisão que vetava partes da lei antifumo no Estado, a Abresi (Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo), autora da ação contrária à lei, informou que respeita a determinação, porém, defende a revisão da suspensão da sentença.
"Trata-se, respeitosamente, de uma posição passível de revisão e a entidade quer tranquilizar seus associados, pois o nosso departamento jurídico está avaliando a melhor alternativa a ser tomada", informou a associação, por meio de nota divulgada nesta quarta-feira.
Para a associação, a lei antifumo, é "inconstitucional", já que iria contra à lei federal sobre o tema.
No último dia 23, a entidade havia sido beneficiada de uma determinação judicial que suspendia a proibição aos fumódromos e a aplicação de multas aos 300 mil bares e restaurantes filiados à associação.
No mesmo dia, entretanto, a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo recorreu da decisão. Ontem, o presidente do Tribunal em São Paulo, Roberto Vallim Bellocchi, acatou o recurso do governo do Estado e suspendeu o veto para "evitar uma falsa expectativa de direito, no sentido de que a lei não entrará em vigência".
07/07/09 - Saída de São Paulo Aproveitando as férias da Paulinha saímos de São Paulo na 3ª feira dia 7 de Julho bem cedo rumo ao Parque Nacional do Caparaó. Depois de 727 longos quilômetros e cerca de 12 hs no volante do meu super confortável carro por um caminho diferente que eu havia traçado em casa e transferido para o GPS - por sinal muito ruim passando dentro de várias cidades, inclusive uma com nome Porciuncula onde chamam lombadas de elevações transversais - fizemos uma pausa para descanso no Gran Palace Hotel na Praça da Matriz de Carangola, MG (R$70,00 o casal com café da manhã), jantamos um sanduiche em uma lanchonete e fomos dormir.
08/07/09 - Chegada ao PN Caparaó e subida da Tronqueira ao Terreirão No dia seguinte acordamos tranquilos, tomamos nosso café da manhã, arrumamos as coisas e saímos em direção a cidade de Alto Caparaó, entrada mineira para o Parque Nacional do Caparaó onde chegamos por volta das 11hs. Na entrada do parque fizemos nosso check-in e logo subimos até a Tronqueira (1952 m de altitude) onde o carro ficaria estacionado depois de 795 km de estrada desde São Paulo. Arrumamos as mochilas, deixamos no carro o que não seria necessário e começamos então a caminhada rumo ao Terreirão (2370 m de altitude). São 3,7 km de trilha super aberta e sinalizada com ascensão acumulada de 358 m e 20 m de descida, o que fizemos em 1h30 minutos. Ao chegar ao Terreirão não havia ninguém e depois de algumas fotos e uns 30 minutos começaram a chegar outros grupos de pessoas. Armamos nossa barraca próximo a casa de Pedra, fizemos nosso jantar/café da tarde e logo fomos dormir enquanto ouviamos mais e mais vozes chegando.
09/07/09 - Subida do Pico da Bandeira, Calçado Mirim, Calçado, Pico 2 e Pico do Cristal Na 5ª feira acordamos por volta das 3 hs da madrugada ouvindo outros grupos começando a subida do Pico da Bandeira, tomamos nosso café da manhã a uma temperatura amena de 8ºC e às 4h15 começamos também a subida ao 3º ponto mais alto do Brasil, com altitude de 2892 m sobre o nível do mar. A subida até o cume foi perfeita. A trilha de subida é bem tranquila e aberta com uma extensão de 3,23 km com uma ascensão acumulada de 460 m e 60 m de descida. E como estava lua cheia nem precisamos usar nossas lanternas e às 6 hs da manhã chegamos ao cume do Pico da Bandeira onde outras pessoas também aguardavam o nascer do Sol a uma temperatura de 4ºC. Ficamos no cume apreciando o nascer do Sol e fazendo algumas fotos e em seguida partimos rumo ao Pico do Calçado. Esse pico para mim não é uma montanha de verdade, apenas um ombro do próprio Bandeira mas estão tentando fazer com que seja considerado pelo IBGE como um dos pontos culminantes do Brasil (o que sou totalmente contra). Para piorar mais ainda fizeram 3 medições nesse ombro do Bandeira e chamaram de Calçado, Calçado Mirim e Pico 2. Se continuar assim logo vão empilhar uma pedra e chamar de cume só para amaciar o ego do "conquistador/medidor". Mas isso não vem ao caso, vá pra lá e faça a subida dessas 3 "montanhas" e tire suas próprias conclusões. Mas resumindo, depois de 1 hora que saímos do cume do Bandeira já tínhamos subido os 3 novos cumes do Calçado, fizemos um lanche e seguimos então para o Pico do Cristal. O Pico do Cristal tem 2769 m de altitude de acordo com nova medição e é o 6º ponto mais alto do Brasil e, até o seu cume, contando a subida anterior ao Bandeira e cumes do Calçado deu um total de 6,60 km de distância com ascensão de 797 m e descida de 518 m. No seu cume fizemos uma outra longa pausa para lanche e fotos e depois começamos sua descida pela crista oposta (NO) na esperança de encontrar uma trilha mais direta até o Terreirão sem ter que voltar pelo mesmo caminho. O começo da descida foi tranquila seguindo dezenas e dezenas de totens que chegam a poluir visualmente o terreno (ao montar um totem tenha certeza do caminho e pense se ele é útil na orientação e não monte a 5 m de outro!!!) mas depois de algum tempo desapareceram e não havia mais uma trilha definida a seguir indo ora sobre algumas pedras, ora no meio de mato. Continuamos a descer rumo ao vale e depois de atravessar um dos rios por um local que parecia uma trilha começamos a subir meio que diagonalmente (rumo NE) em direção ao Terreirão, o problema é que no começo o caminho era aberto mas logo se fechou completamente. Nesse momento tinhamos duas opções: descer e procurar novamente uma trilha que provavelmente não existia ou continuar a subida. Optamos pela segunda opção e depois de muito trabalho chegamos a crista que nos levou até a trilha Tronqueira-Terreirão e às 16 hs da tarde, 11h45 minutos depois de nossa saída, chegamos exaustos ao acampamento onde tomamos um banho com água quase congelada (não tem aquecimento nos chuveiros), fizemos nosso jantar e fomos dormir depois de 12,92 km percorridos e 1287 m de desnível acumulado!
10/07/09 - Subida do Morro da Cruz do Negro, Tesourinho e Tesouro/Cabritos Depois de uma noite mal dormida por causa da farofada que chegava ao Terreirão no dia seguinte acordamos, tomamos nosso café da manhã e às 7h15 começamos mais um dia de caminhada. Nesse dia nossa meta era o Pico do Tesouro, 14º ponto mais alto do Brasil que eu havia tentado alcançar sem êxito em Março de 2002. O começo da subida é pelo mesmo caminho para o Bandeira mas logo que chega no primeiro platô segue reto em vez de virar para a direita pela trilha mais aberta. Pouco depois ao chegar a um poste de madeira vira rumo N e sobe quase que reto até o topo do Morro da Cruz do Negro, 12º ponto mais alto do Brasil onde chegamos após cerca de 1 hora de caminhada, 2 km de trilha meio aberta, 262 m de subida e 32 m de descida. No cume paramos por pouco tempo apenas para algumas fotos, atualizar os waypoints no GPS e seguimos então rumo NE pela crista em direção ao Tesourinho. Continuamos seguindo a trilha que em alguns pontos era bem marcada e obvia enquanto em outros pontos não tinha nenhuma marcação, passamos por um outro pequeno cume (2570m de altitude) que aparentemente o povo local considera ser o Tesourinho mas seguimos a trilha para o verdadeiro Tesourinho de acordo com as coordenadas oficiais do IBGE, onde se encontra inclusive uma construção de paredes de pedra para abrigar do vento um possível acampamento. No cume do Tesourinho, 2584 m acima do nível do mar (além da coordenada do IBGE a altitude pelo GPS bateu com a oficial) fizemos mais uma pausa para lanche e fotos. Até esse momento foram 5,20 km percorridos com 546 m de subida e 392 m de descida acumulada. Do cume do Tesourinho avistavamos ainda longe o Tesouro mas nossa vontade de chegar até lá era muito maior que a distância então traçamos nosso caminho e começamos a descida pela crista NO da montanha até um vale onde recarregamos nossa água e começamos a sua subida. O caminho foi longo e cansativo e vimos que o melhor caminho teria sido descer pela crista NE (caminho que fizemos no retorno) e, depois de nos enganar duas vezes com cumes falsos no caminho, quase às 14 hs chegamos ao cume do verdadeiro Tesouro, 14º ponto mais alto do Brasil com 2636 metros de altitude de acordo com a medição do GPS (8,02 km de caminhada, 919 m de subida e 738 m de descida). Ficamos no cume do Tesouro cerca de 20 minutos, tempo suficiente para um breve descanso, muitas fotos e preparo psicológico para o longo retorno, principalmente porque sabíamos que faríamos parte de noite. No cume vimos ainda que esse cume é chamado de Cabritos pelo povo local graças a uma antiga placa de metal. Mas esse é o verdadeiro Tesouro já que bateu com a coordenada oficial do anuário estatístico do IBGE. Começamos então nosso retorno e saindo do Tesouro fizemos sua descida por onde havíamos subido, atravessamos pelo colo rumo SE passando por um cuminho a 2479 m de altitude e subimos o Tesourinho pela crista rumo SO. De lá o mesmo caminho da ida passando pelo Cume Pequeno (Tesourinho para os locais) e já no escuro fizemos a subida do Cruz do Negro e sua posterior descida até o Terreirão onde chegamos às 19h30, 12h15 depois de nossa saída. No total foram 15,86 km com um desnível acumulado de 1665m e depois de nossa chegada foi tempo só para preparar o jantar e deitar.
11/07/09 - Subida do Pico da Bandeira, Pedra Roxa e descida para Alto Caparaó No dia seguinte, depois de uma péssima noite de sono já que a cada dia chegavam mais e mais farofeiros ao Terreirão que faziam baderna até altas horas, acordamos, comemos e às 8h15 começamos nossa caminhada embaixo de um tempo que parecia piorar (inclusive a noite tinha sido bem mais quente que a anterior, só não sei a temperatura porque o relógio com termômetro resolveu parar de funcionar). Mesmo estando mais cansados devido aos dias anteriores a subida foi mais rápida e depois de 1h35 min estávamos tentando nos equilibrar e nos abrigando de um vento absurdamente forte no cume do Pico da Bandeira. Nossa idéia era subir a Pedra Roxa pelo mesmo caminho que eu havia subido ano passado, atravessando o Bandeira fazendo a descida sentido NE mas graças ao forte vento que estimo em pelo menos 80 km/h (eu tenho 1,82m, 74kg e ele quase me derrubou mais de uma vez) tivemos que abortar a idéia. Ficamos inclusive uma hora abrigados próximos ao cume esperando que o vento diminuisse mas nada, ele continuava forte como sempre então às 11 hs começamos a descida.
Vídeo do vento no cume do Bandeira
Durante a descida aproveitamos para fazer uma limpeza na trilha já que muitos porcos deixaram pelo caminho embalagens de bolachas, garrafa de água, luva de latex (me pergunto para que???) e até um par de botas furadas e, ainda com a idéia de subir a Pedra Roxa e assim subir todas as montanhas do Caparaó em apenas uma viagem, logo que chegamos na base do Bandeira decidimos fazer mais uma investida agora contornando o Bandeira até o colo entre ele e a Pedra Roxa, caminho que eu havia tentado em 2002 também sem êxito. Aproveitando um pouco da lembrança que descendo o vale o mato era muito fechado começamos a contornar o Bandeira tentando manter sempre a mesma altitude que o colo onde pretendíamos chegar. O começo foi bem tranquilo por laje de pedra e depois por trechos que alternavam lajes inclinadas, trepa pedra e um pouco de mato. Um dos trechos que poderia ter complicado o caminho foi um vale de rocha que desce muito incluinado do Bandeira com abismos laterais mas felizmente conseguimos o contornar por baixo e assim chegar até o colo entre as duas montanhas a 2538 m de altitude e embaixo de forte vento. Do colo foi só subir quase que em linha reta até seu cume (não há trilha aberta e me baseei no caminho que eu fiz ano passado) e, por volta das 14h15 chegamos ao cume do Pedra Roxa, 13º ponto mais alto do Brasil a 2649 m de altitude. No cume, brigando para nos equilibrar com o mesmo vento que fazia no Bandeira fizemos umas poucas fotos e 5 minutos depois de nossa chegada começamos a descer. O retorno foi pelo mesmo caminho da ida alternando apenas em alguns trechos para lugares melhores e às 17 hs chegamos ao Terreirão, nesse dia foram 11,07 km percorridos com desnível acumulado de 1621 m. No Terreirão logo cozinhamos um arroz semi-pronto, desarmamos a barraca já que não queríamos mais ficar acampados no meio de uma centena (sem exagero) de barracas e muitos baderneiros, arrumamos as mochilas e às 18 hs começamos a descida para a Tronqueira. A descida foi bem rápida passando por mais grupos com dezenas e dezenas de pessoas e algumas mulas que ainda subiam a trilha e depois de 1h05 de caminhada estávamos colocando as mochilas no porta-malas do Defender, tirando as botas e nos preparando para descer para a cidade. Começamos a descer, fizemos uma boa pausa na entrada do parque onde o atendente tirou diversas dúvidas sobre as montanhas (inclusive informando que a visitação nelas não é aberto), fizemos algumas reclamações sobre a farofada e descemos para a cidade para um merecido jantar e depois um banho quente e uma boa noite de sono no hostel de Alto Caparaó (R$70,00 o casal com café da manhã - albergue esta virando luxo, mesmo preço de pousada!).
12/07/09 - Retorno para São Paulo Depois de uma noite bem dormida acordamos, tomamos nosso café da manhã no albergue, arrumamos as mochilas e às 9 hs estávamos no carro subindo até a praça central da cidade para comprar algumas camisetas de lembrança da viagem. De lá uma outra breve pausa para um sorvete e às 9h30 começamos oficialmente o nosso retorno. A idéia inicial era parar no caminho em alguma cidade para dormir e fazer o retorno em dois dias como tínhamos feito na ida mas fui tentando esticar ao máximo fazendo só algumas pausas para banheiro e almoçar (inclusive recomendo muito o Alto da Serra próximo da entrada para Juiz de Fora) e quando vi já estava em Vassouras, Volta Redonda e finalmente na rodovia Pres. Dutra. De lá não valia a pena parar já que a estrada fica boa então segui direto e por volta das 21 hs estava em casa pronto para um merecido banho e noite de sono.
Considerações finais O Parque Nacional do Caparaó é de longe o melhor parque para se visitar (para quem é montanhista). Ele tem diversas montanhas para todos os níveis e uma ótima estrutura para acampamento. O único inconveniente para mim é a distância: quase 800 km de São Paulo (na próxima vou ver quanto sai ir via aérea para Vitória - ES e de lá alugar um carro para ir ao parque). Outra recomendação é: Não vá ao parque em final de semana ou feriado!!! Eu havia visitado esse parque outras 4 vezes em em todas elas fui durante a semana. Durante a semana o parque é vazio, tranquilo. Em finais de semana o parque é absurdamente lotado com barulho e baderna quase a noite toda. Realmente insuportável e não vou cometer novamente esse erro!
E dentro de alguns minutos (a quem sabe algumas horas) atualizarei os arquivos para GPS do Caparaó e farei o upload das fotografias para a pasta Todas montanhas do Caparaó.
Ontem depois do almoço fomos a Paulinha e eu no Jardim Botânico de São Paulo passear. Em um dia típico de inverno com tempo bonito mas frio aproveitei para tentar a sorte e ver se achava algum inseto para fotografar, o que acabei não conseguindo e fiz então apenas algumas fotos de uns lagartos, uma lagarta, uma aranha e uma formiga (clique em uma das imagens abertas para entrar na minha galeria no meu site www.macrofotografia.com.br.
Hoje já aproveitei o dia para outra coisa: marcar mosquetões. Como a lista de equipamento de escalada ficou grande e a memória pode não ajudar a lembrar de tudo resolvi marcar todos os meus mosquetões de modo que fique mais difícil misturá-los com o equipamento de meus parceiros de escalada, principalmente porque muitos tem mosquetões iguais. O método de marcação mais usado é colar uma fita colorida, o que simplesmente acho tosco já que com o tempo a fita se solta e deixa no lugar cola com sujeira. Outra opção é uma tinta epoxi vendida no exterior (não se acha aqui mas eu também não estava interessado em importar). O que resolvi fazer então foi pintar usando tinta em lata (spray) fazendo um tipo de grafite. Não ficou perfeito como as pinturas originais, mas usando fita crepe eu tampei parte do mosquetão e fiz a pintura na área exposta, ficando assim uma faixa colorida em todos eles (no caso usei a cor vermelha). Aproveitei também para fazer algumas marcas em meus freios e reavivar as marcações (essas feitas com caneta para retroprojetor) nas fitas que uso nas costuras. E com tudo isso terminado, daqui a pouco começo a arrumar as mochilas. Amanhã cedo devo viajar com a Paula para algumas montanhas. O roteiro ainda não está definido mas se eu conseguir postarei informações durante a viagem (senão só quando eu voltar).
Quem me conhece sabe que sou um ateu praticante assumido, que simplesmente vivo minha vida seguindo princípios morais e éticos em vez de me esconder e me reprimir atrás de qualquer castigo divino.
Hoje em uma das comunidades que gosto de participar no orkut (muito boa por sinal para se divertir com crentes indignados: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=247) vi a postagem de duas imagens interessantes, elas mostram de maneira simples e esquemática a diferença no funcionamento de um cérebro cristão e um cérebro ateu:
A digitalização dos negativos antigos continua. Esses 2 dias estive bem inspirado e até agora foram 39 albuns em um total de 1428 fotografias (mas ainda falta muito para terminar!). Os albuns mais recentes que escaneei foram da minha primeira viagem para a Bolívia, em 2002. Nessa viagem saí sozinho de São Paulo no dia 28 de Junho de 2002, conheci outro brasileiro indo fazer roteiro similar (o Renato) e fomos juntos de ônibus até Corumbá (MS) de onde graças a paralização por causa de eleições presidenciais tivemos que pegar um vôo da TAM (Transporte Aéreo Militar) até Sta Cruz de La Sierra, onde ficamos por 3 dias. De lá mais ônibus para Cochabamba e depois para La Paz. Em La Paz fizemos os roteiros turísticos (Tiahuanaco, Chacaltaya - meu primeiro cume acima de 5000m e cidade de Copacabana). Foi inclusive nessa viagem, indo para Tiahuanaco que conheci o Alcides, amigo até hoje com quem fui para a Bolívia novamente em 2004 (e quem sabe esse ano). Nessa viagem fiz também um curso particular de escalada em gelo e travessia em glaciar com o Juan José Miranda, um guia conceituado de La Paz e minha primeira tentativa no Huayna-Potosi, dia 9 de Julho, sendo que atingi cerca de 5700m mas não me senti preparado para ir até o cume. Coincidentemente alcancei o cume dessa montanha exatos 2 anos depois, dia 9 de Julho de 2004. Depois dessa viagem para a Bolívia voltei para lá em 2004 e 2006 e pretendo voltar em breve, quem sabe ainda esse ano. Veja algumas das fotografias no link Bolívia 2002.
O título da postagem é bonito: Processo de digitalização e revitalização de acervo fotográfico. Em outras palavras, resumindo bem, só estou trabalhando pra burro para digitalizar (escanear) todos os meus albuns antigos de fotografia. Como no meu quarto/escritório/depósito o caos reina e espaço é algo raro (às vezes concluo que dois ou mais objetos podem sim ocupar o mesmo lugar no espaço) tive a idéia de digitalizar todos os meus albuns fotográficos antigos para que, depois disso, eu possa me livrar das centenas de albinhos fotográficos que ocupam muito espaço em caixas pelos armários e embaixo da cama. Esse processo é lento e estou digitalizando a partir dos negativos (que serão mantidos). Para esse trabalho uso um scanner de filmes Minolta Dimage Scan Dual IV e todas as fotografias estão sendo escaneadas em resolução média, 1600 dpi, o que é suficiente para boas ampliações em tamanho 15x21 cm aproximadamente (se eu precisar ampliar algo maior é só reescanear uma imagem em especial, não acho necessário ter arquivo maior no HD). O tempo para escanear cada filme (para quem não sabe no passado as fotos eram feitas em filmes que, no meu caso, eram na maioria de 36 poses :-D) é de aproximadamente 20 minutos. Isso contando o tempo de escaneamento e salvar no HD em duas cópias, uma crua do próprio negativo e uma menor e ajustada de modo semi-automático (estou criando actions no Photoshop para cada marca/tipo de filme) para servir como preview. Comecei esse trabalho ontem no final da tarde e até agora foram escaneados 27 albuns em um total de 969 fotografias. Ainda falta "um pouquinho", 213 albuns de negativos, o que levarei ainda alguns muitos meses para concluir. E o trabalho não vai acabar depois disso. A minha idéia é na sequência passar para o escaneamento dos meus slides (desde meu primeiro filme catalogado em 1993 até 2003 fotografei basicamente com filmes negativos, de 2003 a 2005 passei a fotografar só com slides e a partir de 2005 comecei a usar equipamento digital - sendo que nas transições sempre teve uma época que usava ambos os formatos). Dessa maneira passarei a ter todo meu acervo digitalizado em HDs para fácil consulta e acesso (felizmente parte dos slides já estão escaneados, só preciso baixar de CDs e DVDs para o HD e reorganizá-los). Na medida que for concluindo algumas das imagens serão postadas aqui. Hoje mesmo coloquei no ar algumas fotos do final de 2002 e início de 2003 no album diversas antigas.